Desequilíbrio Gasóleo/Gasolina

Os incentivos fiscais e as tendências estruturais do transporte são responsáveis pelo aumento da discrepância entre a produção das Refinarias e a procura de produtos, com implicações negativas na segurança do fornecimento e no ambiente.

Por exemplo, embora o gasóleo rodoviário tenha uma carga fiscal substancialmente mais baixa que a gasolina, a maioria das Refinarias na UE foram inicialmente projetadas para satisfazer as necessidades de gasolina e de fuelóleo e, portanto, têm dificuldades para satisfazer a procura crescente de gasóleo.

O DESEQUILÍBRIO GASÓLEO/GASOLINA ORIGINA FORTES PREOCUPAÇÕES DE SEGURANÇA DE ABASTECIMENTO E DE SUSTENTABILIDADE

Enlarge graphEstimulado pelos impostos especiais de consumo mais favoráveis, mencionados anteriormente, a mudança da gasolina para o gasóleo iniciou-se há 20 anos, o que originou um excesso na capacidade de produção de gasolina e na correspondente falta da produção de gasóleo na UE – apesar dos esforços das Refinarias em aumentar a sua produção. Há 20 anos a relação gasolina para gasóleo rodoviário era de 2:1. Atualmente esta situação está invertida para 1:3, podendo potencialmente atingir 1:4 em 2020.

A introdução generalizada de incentivos para abate de carros em 2009 reforçou esta tendência. Enquanto em 2009 as vendas de carros novos a gasolina excediam as vendas dos carros a gasóleo (65% vs.35% [1] na UE dos 27 e 54% vs. 46% na UE dos 15 [2]), o aumento líquido nos carros de passageiros a gasóleo ainda supera o dos carros a gasolina.

 Isto acontece porque a maior parte dos carros abatidos eram a gasolina. Além disso, muitos foram substituídos por carros a gasolina mais pequenos, com menor consumo.

Mas o aumento do nº de carros a gasóleo não é o único fator em jogo. O aumento crescente no transporte rodoviário de mercadorias por toda a Europa, impulsionado pelos mercados internos e comércio externo, também contribuíram para uma procura crescente do gasóleo.

A eliminação do favorecimento fiscal do gasóleo contribuiria para a correção deste desequilíbrio na procura. No entanto, sem investimento significativo para aumentar ainda mais a conversão de componentes pesados (fuelóleo) em destilados médios (gasóleo e querosene), o desequilíbrio atual do mercado manter-se-á provavelmente no decorrer do ciclo de vida da frota atual.


[1] Fonte : EUROPIA Livro branco da Refinação na UE, pp. 32 ; Fonte original PFC Energy
[2] Fonte : EUROPIA Livro branco da Refinação na UE, pp. 32 ; Fonte original ACEA

O DESEQUILÍBRIO DO MERCADO AUMENTA A DEPENDÊNCIA DOS FORNECEDORES E CLIENTES EXTERNOS

Embora a UE tenha excesso de capacidade de produção de gasolina, não consegue ainda satisfazer a procura regional de gasóleo rodoviário, gasóleo de aquecimento e jet. Em consequência, a UE depende fortemente das importações. Atualmente a maior parte do gasóleo rodoviário e do gasóleo de aquecimento vêm da Rússia, enquanto o jet provém maioritariamente do Médio Oriente. A maior parte do excesso de gasolina da UE é absorvida pelos EUA.

No entanto, no futuro os mercados de exportação serão provavelmente muito diferentes. Por exemplo, em 2020, espera-se que o mercado dos EUA não consiga absorver o excesso de gasolina da UE. Adicionalmente no período 2010-2020, a previsão para a UE da procura total de gasóleos rodoviário e de aquecimento estagnará, enquanto a da gasolina deverá cair 2 ou 3% ao ano.

Entretanto, a procura de gasolina na Europa continua a decrescer, enquanto a procura de destilados para o transporte – jet, gasóleos rodoviário e marítimo – está a aumentar. Sem se equilibrar a procura com a exportação do excedente dos produtos mais leves, como a gasolina, muitas refinarias na Europa terão dificuldades em continuar a operar. Para além disso o nível crescente de incorporação de bio componentes na gasolina, acentua ainda mais a redução da procura de gasolina de origem fóssil.

Tudo isto significa que os refinadores europeus necessitam procurar outros mercados de exportação para substituir o mercado dos EUA e absorver o excedente de gasolina decorrente da queda crescente no consumo interno.

Enlarge imageSem novos mercados de exportação para o excedente de gasolina da UE, é provável que a refinação da UE se ajuste com uma diminuição na produção de gasolina. Isto pode ocorrer através de uma reestruturação seja pelos “desinvestimentos” nas unidades de gasolina (tais como FCC, reformador), seja pelo encerramento completo de refinarias. Esta segunda opção aumentará inevitavelmente a falta de gasóleo na UE e, obviamente, a dependência de países estrangeiros (a Rússia, em particular) para as importações. O equilíbrio dos operadores também está a mudar com as refinarias da Ásia e do Médio Oriente a adicionar capacidade e a entrar rapidamente nos mercados da UE.